
Assim como o Pai me enviou, também eu vos envio: Recebei o Espírito Santo! (João 20, 22)
Ele soprou sobre eles e disse: ‘Recebam o Espírito Santo.’
No livro de Gênesis vemos como, no princípio, Deus soprou no primeiro homem, Adão, o sopro da vida. Adão então se tornou o Vivo.
Hoje, no Pentecostes, vemos Jesus ressuscitado reproduzindo o mesmo gesto. Ele sopra o sopro do Espírito sobre os apóstolos. Eles também se tornarão Seres Vivos. De fato, com a prisão e morte brutal de Jesus, os apóstolos ficaram traumatizados, assustados, em suma, como mortos-vivos. O Evangelho também os apresenta em uma casa em uma fechada, a ponto de nos perguntar como eles vão sair e aparecer em plena luz do dia.
Obviamente, para se reerguer, para abrir as portas daquela casa onde estavam confinados, precisavam de um segundo fôlego, de um novo fôlego, de uma nova força. O Espírito Santo é, portanto, esse segundo fôlego, esse novo sopro que eles precisavam para se reerguer, para se libertar de seus medos. É um novo nascimento para eles, uma nova vida.
O Pentecostes foi como uma ressurreição para os Apóstolos. Podemos notar que São João coloca o Pentecostes, o dom do Espírito Santo aos Apóstolos, no próprio dia da ressurreição de Jesus. Um pouco como se a ressurreição de Jesus fosse a Páscoa, e a ressurreição dos apóstolos, Pentecostes. Na Páscoa, Jesus saiu do túmulo onde a morte o havia enterrado. No Pentecostes, os Apóstolos se levantam de seus medos, saem do túmulo que era a casa onde o medo os havia trancado.
Na vida, todos nós precisamos de um segundo fôlego, de uma nova chance de viver. Às vezes, após uma tragédia, uma morte, um fracasso, uma decepção, estamos desencorajados, desanimados, com medo, perdidos, fechados sobre nós mesmos, fechados para os outros, e como se estivéssemos em busca de uma nova vida. Talvez, neste momento, como os apóstolos, estejamos buscando um segundo fôlego nesta ou naquela área de nossas vidas.
Que Jesus sopre sobre nós neste dia de Pentecostes, que Ele nos envie este segundo fôlego, este novo sopro que nos reergue, que nos devolva o desejo e a força para corajosamente retomar o caminho e as lutas da vida. Nossa vida de fé, nossa caridade, nossa esperança, não estão em busca de um segundo fôlego? Tal projeto na minha vida não precisa de um segundo fôlego, de uma força vinda de cima para evitar que ele caia? Meu relacionamento com esta ou aquela pessoa não precisa desse Espírito, dessa nova reviravolta para que eu não morra, mas comece de novo? Minha família, minha vida profissional e espiritual não está buscando uma nova chance de vida?
Que o Espírito Santo seja aquela luz que ilumina tudo o que em nossas vidas está sendo extinto. Que o Espírito Santo seja essa força que eleva e endireita tudo em nossas vidas que desaba ou é dobrado. Que ele seja o segundo fôlego que a paz precisa hoje para incendiar nosso mundo.
Quantas vezes em nossas vidas não sentimos essa força repentina dentro de nós enquanto estávamos presos no medo, na dúvida? Aquela inspiração repentina que nos faz levantar e seguir aquele caminho que tínhamos medo de seguir, aquela luta que tínhamos medo de seguir? Quantas vezes já sentimos a presença do Espírito Santo em nossas vidas?
Ao soprar sobre os Apóstolos, Jesus faz o gesto que salva. E ele os envia para seus irmãos e irmãs fazerem gestos que salvam, que libertem, que os coloquem de pé novamente, que restaurem força e confiança. Esse gesto que salva é simbolizado pelo perdão: de fato, o perdão é um gesto que salva quem é perdoado.
Que eu também seja para os outros, o segundo fôlego que precisam para se reerguerem e recomeçarem com força e coragem.
Padre Nicolas Atangana, Cssp.
Paróquia São José Operário, Ceilândia Norte, DF.
